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Ricardo Baratela

Tarólogo, professor de Tarot e estudante de Psicologia

Nasci pertinho da virada dos anos 80 para 90, onde a estética glam começava a se transformar em grunge. Em 1987 a ditadura militar estava às últimas, graças aos deuses (e ao povo brasileiro); o Muro de Berlim ainda se mantinha de pé, firme e forte para então dois anos depois ruir, assim como o regime ditatorial brasileiro. 

 

A apresentadora Xuxa já dava as caras pelas telas nacionais, e sua paciência com as crianças era bastante limitada. “RÁPIDO RICARDO!!!” é um dos maiores chavões dela na época. Será que isso foi pra mim? Será que eu deveria ser mais rápido?

 

Cresci nos anos 90, época em que a loja Alémdalenda era famosíssima. Seus gnomos e duendes vendiam como água, e eu como criança mística jamais deixaria de ter uma coleção deles! Cristais, gnomos, duendes, livros de hipnose e discos voadores, os Anjos Cabalísticos da Mônica Buonfiglio (e o famigerado jogo/tábua ouija intitulado “Converse com seu Anjo")... este foi meu universo aos 9 anos de idade. Uma criança quieta por até demais, cheia de encantamento e medo do mundo. 

 

No seio familiar fui criado a pão de ló e muito mimo, como todo bom filho caçula. Ao invés da Igreja Católica, cresci no seio Igreja Messiânica, uma religião de matriz japonesa. Ao invés da missa, o culto. Ao invés do Pai Nosso, a Amatsu Norito. Ao invés do passe kardecista, o Johrei. 

 

Já a adolescência trouxe a clássica revolta: a partir de agora só vestirei preto e ouvirei música triste ou revoltada. Na cidade, minha turma era conhecida como “A turma do Rock”. Yeah! Bem cafona! Rock’n’Roll! 

 

Me distanciei da Messiânica, e meu interesse pela magia se fez forte novamente. Busquei a Umbanda para entender meus conflitos internos e revoltas. Fui batizado em um terreiro, o qual frequentei por alguns anos, até completar a maioridade.

 

Logo depois de finalizar o Ensino Médio tomei a decisão: vou me mudar para São Paulo. A cidade da liberdade, a cidade que não tem fim, a cidade que não dorme!

 

Saí de Serra Negra rumo à capital no dia 14 de Janeiro de 2006, com as bênçãos de minha mãe e avó materna. “Estudar pra quë?” pensava eu. Não, eu preciso ser livre. Vou trabalhar e viver a vida que sempre quis viver. Conheci meu pai de santo Marcos logo em 2006 no antiquérrimo Orkut e, em paralelo à vida de libertinagem, mantinha meus compromissos espirituais firmes.

E assim foi. 

 

2006, 2007, 2008, 2009, 2010... 

2011 e uma pausa. Aos 24 anos decido voltar para minha casa do interior, pois finalmente resolvi estudar numa universidade. Trabalhava de dia, fazia cursinho de noite. 

Em 2012 entrei para o Bacharelado em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC. Queria ser engenheiro biomédico. 

Sim, pois a área da saúde de alguma forma me atraía. Voltei para a cidade grande, dessa vez para Santo André, no ABC Paulista.

 

De 2012 a 2016 vivi uma grande luta: a universidade me exigia estudo em tempo integral, e eu precisava trabalhar para pagar as contas. Inaugurei então a Baratela Walking Food, uma empresa-de-mim-mesmo onde eu vendia lanches com pão caseiro para os estudantes da universidade. 

 

A empresa ia capenga. Não pela comida ser ruim, muito pelo contrário. As pessoas adoravam. Mas eu era um péssimo administrador. "E os estudos, Ricardo?" Iam de mau a pior. 

 

Fazia Cálculo 1. Bomba. Fazia Cálculo 2. Bomba. Fazia Cálculo 3. Bomba.

​

Como um excelente exemplo de libriano com ascendente em Touro, confundi teimosia com resiliência. Me perdi nas contas, nos compromissos e nos estudos. Fali. Fui despejado em 2016 devendo 10 meses de aluguel. Quase tal e qual ao Seu Madruga.  

 

A crise foi grande e eu quase desisti de tudo. 

 

Foi no final deste mesmo ano que um amigo da universidade me convidou para ir à casa de uma amiga taróloga maga e bruxona (palavras dele), para comer uma pizza. 

 

Conheci Nivia Peggion em sua casa. Qual a surpresa ao descobrir uma taróloga incrível? Ela tinha um ar de sabedoria que eu não conseguia descrever, que me fez querer tê-la por perto. Papo vai, papo vem, Nivia disse que abriria uma turma nova de Tarot para 2017. “Eu estarei lá!!” disse enfaticamente, sem ter ideia de onde tiraria o dinheiro para fazer o tal curso. 

A vida conduziu, e em 2017 larguei os estudos. Chegaaaa! 

 

Fiz o curso de Tarot e Magia com a mestre Nivia Peggion, passei o ano imerso pela primeira vez em Tarot. 

 

No final de 2017, um ano depois de tê-la conhecido, fui iniciado no Sagrado Caminho da Imperatriz, uma ordem de Magia do Tarot. 

 

Em 2018 submergi no Tarot como prática oracular, e descobri que dava pra viver disso. Trabalhei de forma dedicada e profunda, e comecei assim a sair da lama na qual me coloquei anos antes. 

 

Cresci na magia, me aprofundei em técnicas e jogos de Tarot para ofertar o melhor aos meus consulentes. 

 

Em 2019 fui convidado por Nívia a ser instrutor de Tarot. Com medo e coragem disse: sim. 

 

Antes, o menino mudo e quieto. Depois, o jovem comunicador e instrutor. Me desafiei, depositei todas as fichas nisso, e deu certo. 

 

A pandemia chegou, e com ela o isolamento. O medo de dar tudo errado e a agenda estava cheia de consulentes tão temorosos quanto eu. 

 

Foram dois anos inteiros de isolamento social, para que a vida pudesse ser minimamente retomada em 2022. 

 

Assim voltei para a tão amada cidade de São Paulo. 

 

Ano novo, casa nova, vida nova. E por que não curso novo? Decido entào acessar o site da Universidade Paulista para ver os valores de cursos. Coloquei as minhas notas do Enem de 2011, vi que o preço do curso de Psicologia estava baixíssimo. Perguntei então ao Tarot: Devo? 

 

E a resposta foi clara e luminosa como o fogo: Sim, você deve. 

 

Assim começou mais uma volta. 

 

Hoje, em 2026, estou finalizando o curso de Psicologia. 

 

Conquistei o grau máximo no Caminho da Imperatriz, o grau de Mago. 

Sou útil ao mundo, à Vida e ao Tarot. 

 

E aos 38 anos de idade, hoje posso afirmar sem ressentimentos que a Vida vale a pena.

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